Queremos nosso Brasil de volta

Sidney Jorge • 1 de novembro de 2020

Queremos nosso Brasil de volta

Por Sidney Jorge


É sabido que nem tudo era perfeito no País. A redemocratização teve como marco a eleição indireta de Tancredo Neves para Presidente em 1985 que morreu antes da posse, deixando o governo da nação ao seu vice José Sarney marcando a ruptura com os governos militares¹. Foi no período do Sarney a convocação para a Assembleia Constituinte liderada por Ulisses Guimarães que deu ao País uma nova Constituição Federal em 1988 para normatizar os direitos e deveres da sociedade Brasileira².  A Democracia não alçou um voo considerável, tendo em vista o fato de ser bem recente o sistema de voto direto elegendo Fernando Collor em 1989 e impedido dois anos após sua posse em 1992³. A destituição faz parte do processo democrático caso haja comprovação de crime de responsabilidade e mobilização política e econômica para efetivá-la. Passados vinte e quatro anos, mais uma vez estava a sociedade diante outro processo de impedimento. Esse, realizado no segundo mandato da então presidente Dilma Roussef4. E mais uma vez, era perceptível as articulações políticas e interesses econômicos motivadores da derrubada. O vice assumiu comprometido com as agendas neoliberais, reformas trabalhistas, previdenciárias, privatizações e delimitação dos gastos governamentais, o chamado teto de gastos evidenciando uma ruptura com a agenda anterior, sinalizando uma mudança brusca no modus operandi e na visão de País. Governo marcado também por uma greve de caminhoneiros sem precedentes na história5. Mensagens progressistas são substituídas por mensagens positivistas: Ordem e Progresso e agora, Pátria amada Brasil. Durante esses processos tivemos uma queda no emprego e grandes indústrias fecharam as portas.


Quando dizemos querer Brasil de volta não significa desejar a volta deste ou daquele partido político de esquerda, direita ou extremos, mas sim, o retorno ou talvez uma reorientação política. Arriscaria afirmar que o País, independente da pandemia, atravessa uma crise sem precedentes. Crise de valores, crise financeira, crise de identidade, crise política, crise no judiciário, legislativo e executivo, crise de referências. Hoje não há espaço para afirmar que tudo é culpa do antecessor, mascaradas as referências, não se sabe o que é crime de responsabilidade e o que não é, o que é pedalada fiscal e o que não é, o que é direito o que não é, o que é corrupção e o que não é, o que é notícia e o que é “fake News”. O pais tornou-se um tabuleiro de um jogo de vale tudo, sem regras.


Devido a isso, queremos nosso pais de volta. Que venha para nós o Estado democrático e de direito, que volte o cumprimento da Constituição Federal, que venha a educação, que venham as universidades com viés democrático, que venha a diversidade e liberdade de opinião com respeito, sem ofensas e ataques pessoais, que venha a valorização da vida, respeito às religiões promotoras do bem, que venham projetos de inclusão social, que venha o emprego, os concursos, que venha o dólar a valor sensato, que nossa moeda volte a ter valor, que venham os investimentos, que voltem as pesquisas científicas, que venha a segurança, que venha a paz, que venha o acesso aos bens de consumo, que venha o preço baixo do arroz.


 Que venham investimentos para recuperar nossas matas e florestas, que venha nossa esperança, que venha um projeto de governo e não de poder, que venha a moral, que venha a ética, que o País deixe de ser chacota internacional, as Forças Armadas venham a defender o Estado, a soberania, o povo, abrindo mão de cargos, de politicagem e de governo, que as rendas mínimas sejam um programa de inclusão e não um estratagema eleitoreiro, que as jurisprudências sejam de acordo com a Constituição e não de acordo com o réu, que nasça uma política de formação e informação culminando em um processo de combate ao sentimento de ódio que se instalou no País, que haja compromisso com a saúde do povo, que haja respeito à sociedade brasileira com planejamento responsável dos programas obedecendo os trâmites constitucionais, evitando veicular decisões ou possíveis decisões em redes sociais e mudá-las de acordo com a repercussão, atingindo a bolsa de valores, o mercado e a confiança (já pouca) da população.


 Que ministros de Estado tenham foco e harmonia para implantar políticas comprometidas com a sociedade e crescimento do País, que venha respeito entre os poderes executivo, legislativo e judiciário. E sobretudo, que o povo compreenda de uma vez por todas a importância do voto consciente sem inspirações em “fake News” ou influências midiáticas, pois uma decisão mal orientada pode destruir um País necessitando de muito tempo para retomar a normalidade, enquanto um voto bem elaborado pautado na liberdade, bons projetos e informações imparciais, podem aprimorá-lo. Em qualquer dessas opções, toda população, idosos, adultos, jovens, adolescentes, crianças, ricos ou pobres será devidamente afetada. Enfim, cidadãos e cidadãs brasileiras chegou a hora: tragam nosso País de volta.


Referências:


  1. https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/governo-sarney.htm
  2. https://www.lugardeopiniao.com.br/o-povo-brasileiro-ja-tem-uma-constituicao-a-constituicao-cidada/ 
  3. https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/governo-collor.htm
  4. https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/12/28/impeachment-de-dilma-rousseff-marca-ano-de-2016-no-congresso-e-no-brasil
  5. https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/12/30/temer-o-impopular-o-que-mudou-no-pais-em-dois-anos-de-governo.htm


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