Uma breve conversa com o Chiquim

Sidney Jorge • 1 de janeiro de 2026

     Uma breve conversa com o Chiquim

     Há quanto tempo não encontrava o Chiquim... Hoje, um senhor a expor a branquidão dos rasos cabelos brancos na negritude de sua cabeça. Alto, magro, pensativo, espirituoso e observador.


     Andava um pouco distraído pelas ruas do centro, quando ouvi alguém chamar meu nome. Era o amigo Chiquim. Conheci-o durante um curso de cozinheiro em meados dos anos 80, precisamente, em 1985 no então Hotel Senac Grogotó. A intenção dele com o curso era óbvia, se preparar para realizar um teste de taifeiro da EPCAR, onde havia prestado serviços militares. Após a dispensa, entendeu que o caminho para seguir sua vida profissional, seria como taifeiro na cozinha do quartel.


     A conversa lembrou desses tempos:


     “Concluí o curso e fui aprovado no exame, mas não recebi uma convocação.” Ele comentou, aproveitando a oportunidade para mencionar algumas das atividades que exerceu até sua aposentadoria, incluindo a famosa Central, que dizia respeito aos contextos das ferrovias espalhadas pelo País. A cidade ainda possui a peculiaridade de ser cortada por uma dessas linhas férreas. Também incluiu outras empresas nas quais prestou seus serviços.


     Também narrei algumas atividades que realizei até então.


     Contudo, o que motivou a proposta de transformar o encontro em um texto foi a constatação de que ele vestia uma camisa personalizada para o 9º Fórum Social pela Vida.

“Interessante, você usa uma camisa com o tema do Fórum social pela vida. Tive a oportunidade de participar da coordenação do primeiro, realizado na cidade de Ouro Branco.” Destaquei.


     “Ah, sim, este fora em Viçosa. Colaborei como motorista para levar algumas pessoas daqui.” Respondeu.


     Assim, a conversa encaminhou-se para a dimensão da fé e para um feito reconhecidamente louvável do amigo. Contou que participa de um movimento denominado “Terço dos homens”, trata-se de um encontro onde eles se propõem a rezar pelos filhos, pelas famílias e por eles mesmos. Relatou que um senhor que acompanhava o canto das músicas tocando o violão, teve de parar de fazê-lo, devido a limitações impostas por questões de saúde.


     Chiquim, cheio de euforia, compartilhou o processo de aprendizado que o levou a tocar violão. A busca pela professora, as sessões de treino, a perseverança, a dedicação, a disposição e a coragem para se engajar em uma prática que, para muitos, parece desafiadora. Mas não para Chiquim. No auge de seus 63 anos, encarar essa nova jornada seria mais um desafio para enriquecer sua merecida aposentadoria. Com orgulho, pegou o celular e me mostrou alguns vídeos de sua evolução, e para coroar o momento, apresentou uma cena em que, sozinho em uma cadeira, com a pasta recheada de músicas portando o seu violão, acompanhava a canção entoada na reunião do “Terço dos homens” na igreja do Divino. Com admiração e respeito, parabenizei-o pela determinação de aprender algo novo e por sua disposição em servir.


     A breve conversa foi interrompida quando ele notou que sua esposa estava saindo pela porta da Policlínica junto com a mãe. Essa breve conversa aconteceu exatamente enquanto aguardava o atendimento de sua sogra.


     “Valeu amigo, até mais, preciso informa-la onde deixei o carro.”


     “Até mais, abraços a você e família! Feliz Natal! Feliz ano de 2026 e, obrigado por essa história.”


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